Blog Riacho Mágico
   
 
   



BRASIL, Sudeste, MARICA, Ponta Grossa, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Gastronomia, Cinema e vídeo, Pesca
Outro -
 

  Histórico

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Orkut




 

 
 

 

148.

 

        - [O Julgamento Final já aconteceu, comandante?]

        A pergunta foi objetiva e direta, e me pegou de surpresa. Muitas coisas diferentes aconteceram durante a Tribulação. Diferentes no sentido de não ser possíveis avaliá-las sob o ponto de vista científico, em relação ás leis naturais. Em muitos momentos senti como se o tempo houvesse parado, e até voltado atrás. Alguns dias, naqueles tempos, todos na cidadela, sentiam a necessidade de entrar em comunhão ao mesmo tempo. Mais de mil e duzentas pessoas paravam de repente o que estavam fazendo e se ajoelhavam para comungar com o Criador. Ficávamos por um tempo em comunhão e sem que houvesse um comando, uma ordem, um louvor, todos voltavam aos seus afazeres. É como se estivéssemos sob outro comando que não o da nossa mente. Pensando naqueles momentos me ocorreu perguntar a Kimie se aquelas situações aconteciam com elas no navio.

Foi o que fiz. Relatei com detalhes os fatos, e ela, sem me surpreender, confirmou que no navio as coisas aconteciam exatamente como contei. Disse que, como a mim, aqueles momentos a intrigavam, mas que não conseguia questioná-los junto às outras meninas. Era como se fosse impedida de tocar no assunto. Entre nós, na Cidadela, acontecia o mesmo, aliás, surpreendentemente não sei como consegui falar com ela sobre isto.

        No instante que este pensamento veio à minha mente, tive uma visão.   O que vi, foi uma multidão de pessoas aglomeradas, ombro a ombro, cujos rostos transfigurados como bonecos de borracha, tinham apenas uma expressão de horror e dor, como no quadro “O Grito” de Edvard Munch. De seus corpos andróginos, desprendiam-se o que imaginei ser os seus espíritos, de cor cinza que se elevavam aos céus, onde se dissipavam, como se diluídos, terminados, findados de uma vez por todas. Foi quando lembrei da frase final do manuscrito citado por Kimie...

 



Escrito por Luiz Lago às 19h08
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

147.

 

        Ficamos um pouco em silêncio curtindo o nosso momento de êxtase espiritual. Lágrimas em profusão molhavam os nossos rostos. Um aroma de areia molhada me lembrou o perfume de mato úmido pelo orvalho. E um sentimento triste interrompeu a nossa comunhão pessoal. Kimie ficou um pouco desapontada, mas compreendeu a minha tristeza. Foi com tristeza que ela falou:

        - [Porque o homem fez isto com o planeta?]

        - [O homem provocou o Criador mais uma vez.]

        - [Agora me veio à mente a Décima Quarta Mensagem do Quinto Manuscrito de Loucura e Verdade.]

        - [Você leu Loucura e Verdade?]

        - [Claro, Lea nos fez ler o livro mais de três vezes e decorar todas as mensagens. Ela disse que seria muito importante para o futuro do nosso planeta. Vê se me esqueci de alguma palavra.]

       

        -[Quinto Manuscrito – Décima Quarta MENSAGEM

 

INTRODUÇÃO

 

 

        “Vigiem que o julgamento se aproxima rápido como a luz. Busquem a comunhão comigo e livrem-se da extinção total”.

 

 

O JULGAMENTO FINAL

 

        “ O tempo do julgamento da ação do homem na Terra se aproxima rapidamente. Não posso permitir que haja desequilíbrio no universo. O bem que pertence à minha essência deve prevalecer e subjugar o mal que existe na Terra. Na Terra o equilíbrio é frágil, a despeito do esforço dos anjos para que o mal seja eliminado e o bem prevaleça. O julgamento final não tarda. O mal será eliminado da Terra, assim como os homens que não mantiverem comunhão comigo. Aqueles que mantiverem comunhão comigo terão os corpos transformados em corpos espirituais e suas almas transformadas em almas espirituais, e serão guiados pelo meu espírito que neles habita para viverem a liberdade da eternidade comigo. Os homens que não mantiverem a comunhão por ocasião do julgamento final que está próximo, irão para o nada. Não mais serão, e isto é a pior coisa que pode acontecer ao homem.”]

        Ela recitou todo o texto da Décima Quarta Mensagem do Quinto Manuscrito sem nenhum erro.



Escrito por Luiz Lago às 19h54
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

146.

 

        Continuei a falar-lhe sobre mim, sobre a Cidadela da Esperança e os tempos de tribulação, mas nada lhe falei dos meus poderes e da minha timidez em usá-los. Ela então se manifestou em minha mente:

        - [Você não me respondeu porque não usa os seus poderes totalmente.]

        - [Uso sempre que é necessário.] Respondi.

        - [Você tem vergonha de usar?] Ela insistiu.

        - [Vergonha? Como posso ter vergonha de usar um dom que Deus me deu?] Afirmei, me esforçando para ser autêntico.

        Na verdade não achava que era vergonha, mas sim, um pouco de medo. Sim medo. Já havia me questionado sobre isto muitas vezes. Eu não podia ter medo. Era fundamental para a comunhão plena, não ter medo. Uma pessoa com medo não consegue comungar com o Criador. Pensando desta maneira, Kimie estaria certa. Em vez de medo, eu teria vergonha de usar os meus poderes. Ela interrompeu minhas conjecturas:

        - [Estou certa sim. Você tem vergonha de usar os seus poderes. É um conceito errado em seu intimo que lhe passou desapercebido todo este tempo e você ainda não eliminou. Os seus poderes são tantos e a sua comunhão é tão forte que este defeito passa desapercebido, mas um dia pode lhe prejudicar. Justamente no momento em que você mais precisar. O seu ego lhe deixou este gatilho do mal, escondido aí dentro desta mente brilhante. Mas eu vi o problema quando estive em você e você em mim. E agora podemos eliminar esta coisa boba de uma vez por todas. De acordo meu herói?] Finalizou Kimie com a doçura que lhe era peculiar.

        Suas palavras me emocionaram. Ela havia lido os meus pensamentos como Lea sempre fazia. Eram tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes fisionômicamente. A introspecção de Kimie parecia ser mais forte, decidida, com mais energia. Ela não só conquistou a minha admiração e o meu coração, conquistou todo o meu ser, fez de mim a sua morada e estava arrumando a casa! De repente, separados fisicamente, estávamos envolvidos em espírito.



Escrito por Luiz Lago às 21h08
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

145.

 

- Daí, “peguei” a estrada e viajei para o norte. Meu dinheiro era pouco, tinha que quase mendigar para poder fazer uma refeição por dia. Foi assim que cheguei a esta pequena cidadezinha. Sempre gostei de pescar e aqui foi uma colônia de pescadores. Quando os peixes ficaram escassos, por causa da pesca predatória praticada em todo o litoral do país pela industria pesqueira, o povoado, para não desaparecer do “mapa”, começou a viver do turismo. Belas praias, cachoeiras de água doce que aqui é abundante. Pousadas simples foram sendo construídas pelos ex-mestres dos mares e a vida pacata e natural fez com que o vilarejo recobrasse o fôlego e a esperança da população se renovasse. No entanto, também a industria do turismo polui e degrada em muito o meio ambiente. Na mente gananciosa dos governantes a idéia é extrair tudo o que for possível sem que nenhum investimento seja feito. Assim, logo as nascentes estavam poluídas e nas belas praias começaram a aparecer as valas negras dos esgotos não tratados e os turistas já não vinham mais para cá, seja porque outra vila com praias virgens foi descoberta, seja porque começaram a aparecer as favelas e com elas os problemas que todos sabemos, drogas, bandidagem, e foi assim que  encontrei a cidadezinha, completamente abandonada, entregue à sua própria sorte.

Ele parou, tomou um gole de café e continuou a sua narrativa.

- Logo que cheguei fiz alguns biscates na única pousada que ainda teimava em permanecer aberta e vivia das excursões de fim de semana, quando os ônibus da capital traziam os suburbanos para “um dia no paraíso”. Meu filho deve ter lhes falado que sou habilidoso, conheço um pouco de tudo, eletricidade, hidráulica, marcenaria, alvenaria, e outras coisinhas que aprendi pelas estradas da vida. Pois bem, trabalhei duro por cinco meses e reformei toda a pousada. O dono me contratou como chefe dos serviços gerais, e aí aconteceu a grande transformação da minha vida.

 



Escrito por Luiz Lago às 19h47
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

144.

 

- Na noite em que ficou decidido que o senhor ia buscá-lo, mentalizei-o antes de dormir e lhe contei o que ia acontecer. Não imaginava que ele estivesse realmente participando do meu sonho. Isto é possível Comandante? Finalizou questionando.

- Bem, companheiro possível é porque de fato aconteceu. Resta-nos averiguar se não se trata de uma armação do Conselho, eles são capazes de muitas coisas.

- Pensando de forma positiva Comandante, pode ser obra do Senhor Todo Poderoso. Retrucou Josué, como que me censurando por ter pensado primeiro na hipótese negativa. No treinamento enfatizávamos muito a análise primária ser sempre positiva, para que a comunhão fluísse com mais perfeição e rapidez.

- Certo meu filho, vou pensar desta maneira, apenas comunica a Madalena tudo o que ocorreu e fiquem a postos se for necessária uma nova comunicação. Falei isto, desliguei e voltei para a pequena sala onde Roberto e Antenor desenvolviam uma boa conversa.

Com a minha chegada, ambos param ao mesmo tempo de falar e me olharam, como se eu fosse um juiz, preste a dar um veredicto sobre os estranhos acontecimentos que envolveram o início do nosso encontro. Roberto se adiantou às minhas possíveis perguntas e relatou o que estavam conversando:

- André, o seu Antenor aqui, estava me contando os sonhos que teve com o seu filho, Josué. É muito interessante, deixa-o continuar.

Sem dizer nada, maneei a cabeça em sinal de aprovação e sentei-me junto a tosca mesa onde Antenor servira meu café.

Ele iniciou com a acalma peculiar dos sábios a contar uma parte da sua vida que não tínhamos conhecimento.

- Quando me separei de Josué, me senti só e abandonado no mundo. Ele tinha as suas razões, aliás, estava mais do que certe, mas naquela época, a minha estima, o meu amor por mim era quase zero, eu tinha pena de mim, chorava por me achar um coitadinho. Pensei em muitas coisas ruins naqueles dias.



Escrito por Luiz Lago às 22h21
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

143.

 

        Roberto e eu trocamos olhares desconfiados. Podia ser armação do Conselho, mas não era. Tomei a iniciativa da conversa.

        - Senhor Antenor, é este o seu nome?

        - Sim senhor, meu nome é Antenor Ribeiro Caldas, ao seu dispor.

        - Parece-nos que o senhor esperava a nossa visita?

        - Sim, esperava sim, foi meu filho Josué quem me avisou que os senhores vinham me buscar. Falou singelo, a verdade explícita em seus olhos simplórios. Roberto não se conteve e interpelou:

        - Ele lhe telefonou, escreveu, mando um e-mail, coisa que o valha? Disse um pouco exaltado.

        - Não senhor, hehehe, sonhei com ele, e no sonho ele me contou a respeito de vocês. Respondeu ele sorrindo aquele sorriso puro, desprovido de maldade, como se fosse a coisa mais normal do mundo o que ele acabara de falar.

        Novamente o olhar de Roberto encontrou o meu e nos comunicamos mentalmente.

        - [Estou sentindo que ele está falando a verdade.] Comentou Roberto.

        - [Eu também.] Respondi.

        - [Acho que devemos ligar para a casa. Seria bom sabermos de Josué como foi que isto aconteceu.] Aconselhou Roberto.

        Aceitei o conselho, pedi licença ao seu Antenor e voltei ao jardim na entrada da casa para poder falar à vontade.

        Pelo celular, liguei para Madalena, contei-lhe o que acontecera e pedi para falar com Josué. Em dois minutos ele estava ao telefone.

        - Estou aqui Comandante, está tudo bem com meu pai?

        - Sim Josué, bem até demais. Imagine que ele sabia que nós viríamos e disse que foi você quem o avisou através de um sonho. Você pode me dizer o que aconteceu de fato?

        Houve um pequeno silêncio do outro lado da linha e depois ele respondeu demonstrando surpresa.

        - Caramba, não imaginei que meus sonhos tivessem receptividade. Desde a primeira vez em que mentalizei meu pai antes de dormir, os meus sonhos com ele, pareciam muito reais. Parecia que ele me via, e muitas vezes interagia comigo. Foi ele quem me disse onde morava em detalhes. Tomou fôlego e continuou.



Escrito por Luiz Lago às 23h42
[] [envie esta mensagem
] []


 

 
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]