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BRASIL, Sudeste, MARICA, Ponta Grossa, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Gastronomia, Cinema e vídeo, Pesca Outro -
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137. Josué aceitou ser o nosso espião junto ao Conselho. Mas fez um pedido: Queria trazer seu pai para morar na cidadela. Sua história de vida era muito interessante e triste também. Havia perdido a mãe com câncer muito pequeno e fora criado pelo pai, um homem inteligente e habilidoso, mas que não gostava de criar raízes, viviam mudando, cidade em cidade, estado em estado. Além disto não se firmava com nenhuma mulher. Não conseguia esquecer seu único e verdadeiro amor, a mãe de Josué. O menino viveu assim, com muitas “madrastas”, em muitos lugares. Seu estudo foi intermitente, mas conseguiu completar o segundo grau com dezoito anos. Foi quando rompeu com o pai. Eles moravam no sul do país. Josué conseguira um emprego e estava estudando à noite para entrar na faculdade de engenharia química, seu grande sonho. Uma noite chegou em casa e encontrou as malas arrumadas. Seu pai lhe comunicou que iam mudar novamente. Ele se cansara daquele lugar, era muito frio, não tinha muitas oportunidades de trabalho, e a namorada o havia abandonado. Era claro para Josué que este era o motivo principal da mudança. Sempre que seu pai terminava com uma namorada, pegava a estrada para outro lugar. Desta vez, o rapaz não aceitou os argumentos do pai. Sem discutir, porque sempre fora de temperamento tranqüilo, pegou a sua mala e foi para a casa de um colega de trabalho. O pai, ainda o tentou dissuadir, procurou-o na casa do colega, prometeu que seria a última vez que se mudavam, mas ele estava convicto que aquela era uma decisão importante e positiva para a sua vida e não aceitou. Nem as lágrimas de seu pai conseguiram demovê-lo da idéia de não partir com ele. Depois daquele dia nunca mais viu o pai.
Escrito por Luiz Lago às 18h43
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136. Num instante segurei forte o seu pulso e tomei impulso de volta para cima. Ela não ofereceu nenhuma resistência, estava desacordada e ferida! Quando cheguei à superfície, um bote com três defensoras assustadas, chacoalhava no turbilhão em que se transformara o mar. Colocamos Kimie no bote e a conduzimos para o navio. Lá ela seria mais bem atendida. Com dificuldade iniciei o procedimento de primeiros socorros para afogados e nem me passou pela cabeça que meus lábios tocavam os seus pela primeira vez. As ondas dificultavam o procedimento e o meu cérebro calculava o tempo que ela poderia estar desacordada, para saber quanto tempo ainda tinha para ressuscitá-la. Ainda estava em comunhão, estava calmo e seguro do que estava fazendo. Chegamos ao navio e quando a coloquei no meu ombro para subir até o convés senti que ela regurgitou a água que havia ingerido e começou a tossir, recobrando a respiração. Todos ficamos aliviados e agradecemos a Deus por aquela bênção. Julia preparou a pequena sala onde havia ficado para receber Kimie e ajudou-me a examiná-la. Ela estava com uma luxação no braço direito e um pequeno corte na lateral da cabeça. Julia fez o curativo e improvisei uma tipóia para imobilizar o braço machucado. Kimie estava tremendo de frio, preparamos uma bebida quente e a cobrimos para evitar um resfriado. Ela me agradeceu por ter salvado a sua vida, e disse-lhe brincando que a beijara diversas vezes. Todos rimos e agradecemos novamente ao Criador por ter nos amparado naquela hora. Em particular agradeci por não ter me separado tão prematuramente da minha menina. Acontece que eu não poderia ficar ali parado porque a tempestade estava cada vez mais perto. Tinha que soltar a outra âncora, mesmo que fosse ali mesmo. Foi o que eu fiz e voltei para a praia. Levei a empilhadeira para o local mais protegido possível e revisei as proteções das portas e janelas e fiquei esperando o céu desabar.
Escrito por Luiz Lago às 19h09
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135. Tudo aconteceu numa fração de segundos. Num instante Kimie fazia o mesmo movimento anterior para alcançar a outra âncora e em outro estava caindo na água. Vendo seu corpo caindo, tentei lembrar do que ocorrera. Uma lufada de vento a desequilibrara e seu corpo bateu no casco do navio. A batida devia ter sido forte o suficiente para que ela largasse a corda. Este pensamento levou menos de cinco segundos e logo eu me atirei na água fria e agitada, e comecei a nadar em direção ao navio, na tentativa de alcançar o ponto onde Kimie havia caído. O mar era fundo ali e a cada braçada que eu dava, levantava a cabeça para ver se via a minha menina. Mas ela não aparecia na superfície. Concentrei todas as minhas forças até que cheguei mais ou menos no lugar onde ela caiu. Não havia quase iluminação por causa da tempestade e o respingo das ondas batendo no casco ofuscavam mais ainda a minha visão já debilitada. Nestes momentos, mesmo os mais preparados espiritualmente como eu, reconhecem o quanto são fracos e incapazes e o quanto dependem de Deus para viver as nossas vidas. Mas aqueles que em espírito e verdade se posicionam ao lado do Senhor Jesus se fortalecem nestes momentos, porque são fortalecidos por Ele, o Salvador. “Quando sou fraco aí é sou forte porque? Tudo posso naquele que me fortalece”. Com este versículo em meu pensamento, me entreguei à comunhão de uma forma que nunca antes havia experimentado. Minha sensibilidade aumentou tanto que podia sentir cada borbulha que se formava na água revolta, percebia o movimento de cada peixinho, ou qualquer outro ser vivo que naquele momento estava próximo de mim. Meu corpo brilhava, tamanho era energia espiritual que eu agregara. Em segundos pude sentir onde estava Kimie e mergulhei em direção a ela nadando vigorosamente. Não precisaria nem abrir os olhos, porque, a sua presença era tangível ao meu coração.
Escrito por Luiz Lago às 20h30
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133. - Não. Afirmou ela calmamente, saboreado o suspense e continuou: - Pensei em outra pessoa para esta missão. - Quem? Perguntamos todos novamente. - Josué, disse Madalena com um leve sorriso no canto da boca, do jeito que uma exímia jogadora faz quando tem um trunfo na “manga”. - De novo todos falaram ao mesmo tempo: - JOSUÉ? - Ele nem faz parte do grupo de comando! Afirmei um pouco exaltado. - Por isto mesmo, o Conselho não o conhece. Não sabe do seu treinamento, pensa apenas que é um empregado nosso, meu assistente, o que lhe confere uma maior importância estratégica. Entenderam? Falou Madalena, ainda naquele tom de quem sabe do que está falando. Fiz uma pequena introspecção para controlar meu ego e analisar melhor a idéia. Os fundamentos estavam corretos, a proposta ousada, mas interessante, poderia dar certo. Externei as minhas conclusões aos outros membros do grupo. Foi Alberto quem levantou a questão mais importante: - E se Josué não aceitar, afinal o risco é muito grande. Disse Alberto. - Tenho certeza que ele vai aceitar. Respondeu Madalena. Fiquei imaginando se ela já teria falado com ele. Não me atrevi a introspectá-la, com certeza saberia que eu tentava descobrir a verdade e isto prejudicaria o nosso relacionamento. Preferi assumir a responsabilidade do meu comando e determinei que Josué fosse chamado para tomar ciência do assunto e dizer se aceitava ou não a missão. Estávamos na sala de comando da mini fortaleza na gruta. Era um “bunker” impenetrável, isolado de tudo, onde nos reuníamos para tomar as decisões importantes e secretas. Josué levou alguns minutos para chegar até nós. Era a primeira vez que ele entrava naquela sala, mas não se surpreendeu. Parecia que já sabia de tudo. Quando entrou no recinto introspectei-o. Para alivio meu, ele não sabia nada do que estava acontecendo. Depois de tomar ciência de tudo, deu a sua resposta.
Escrito por Luiz Lago às 20h19
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132. Praticamente todos os dias, descobríamos alguém do Conselho tentando se infiltrar, seja como hóspede do hotel ou fornecedor, já que o recrutamento de trabalhadores fora concluído. Com a ajuda de Josué na pré-seleção a situação melhorou, mas Alberto e eu sabíamos que mais cedo ou mais tarde eles iam conseguir. Ficamos imaginando quais seriam os seus objetivos. Pensamos em diversas hipóteses, e a que ganhou mais força, foi de que eles já sabiam o que estávamos fazendo e desejavam nos tomar a Cidadela para abrigarem os seus asseclas. O Conselho sabia quem éramos, conheciam a mim e ao Roberto, agora também sabiam de Madalena, Alberto e até Carolino e os Pescadores. Tínhamos que saber mais a respeito dos seus verdadeiros interesses em relação a Cidadela. Foi Madalena quem deu a idéia: - E se infiltrássemos uma pessoa nossa na organização deles? Perguntou. - Um agente duplo? Questionou Carolino, mais familiarizado com espionagem. - Sim, respondeu Madalena, e continuou, - podemos deixar que uma pessoa nossa, seja “recrutado” por eles para ser um espião entre nós. O que eles não podem saber que esta pessoa está trabalhando para nós. Permitimos que ele diga algum, digamos, “segredo”, não muito secreto, enquanto ele levanta para nós qual a verdadeira intenção destes bandidos! Finalizou ela. O “plano” me pareceu inconsistente e perigoso, mas deixei que fosse discutido pelos demais para dar a minha opinião. Carolino achava uma boa idéia, Alberto ficou entusiasmado, junto com Madalena eram três votos, Roberto observou que deveríamos pensar mais, só faltava a minha posição. - Creio que vocês estão subestimando o Conselho. Comecei a falar e continuei: - Nós sabemos o quanto eles são perigosos. Acham que eles não vão desconfiar depois de serem repelidos por mais de um ano? Vamos arriscar a vida de um de nós, isto é que vamos fazer. Madalena me interrompeu: - Não pensei em nenhum de nós para esta missão. Falou. Todos, uníssonos, falamos: NÃO?
Escrito por Luiz Lago às 17h32
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