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BRASIL, Sudeste, MARICA, Ponta Grossa, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Gastronomia, Cinema e vídeo, Pesca Outro -
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12. Depois que ele foi embora, no dia em que lhe contei sobre as visões, fiquei matutando sobre o que ele me falou, sobre a forma de como levar adiante o projeto. Intensifiquei assim a comunhão, e numa noite tive a visão que deu a partida efetiva no Projeto Cidade da Esperança! Como em todas as outras visões, já estava acostumado com isto, apareceu a TV e a imagem. Desta vez estava em um Banco, na frente de uma pessoa que parecia ser um gerente, apresentando um papel, que depois identifiquei melhor, era um bilhete de loteria. Como não jogo, nem compro bilhetes, nem me liguei quanto aos números ganhadores. Por isto, depois me dei conta, a imagem se repetiu diversas vezes. Só parou quando anotei os números. Então me dei conta que aquela visão me dizia que eu deveria comprar o bilhete e com o dinheiro que ganhasse tornaria o projeto Cidade da Esperança, real! Foi isto mesmo que aconteceu. Não sem algum trabalho. O pior foi localizar o bilhete com os números. A Loteria Federal envia os bilhetes para todos os municípios do país e demorei uma semana procurando. Graças a Deus, sempre a Ele, encontrei numa cidade à duas horas de distancia da minha. Mas tive que enfrentar outro problema: o bilhete daquela semana estava reservado por um cliente da casa lotérica e o vendedor só poderia me vender, caso ele desistisse, ou não comparecesse na loja até duas horas antes de serem sorteados os números, isto ocorreria dois dias após. Para não gastar, meu dinheiro era sempre curto, resolvi ficar na cidade até aquela data. Trouxera alguns livros no carro, daí perambulei nas duas noites que se seguiram, pelos bares e restaurantes oferecendo-os. Vendi todo o meu estoque e me arrependi de não ter trazido mais livros. Por fim chegou o dia e a hora fatídicos. Levei um “chá de cadeira”, mas felizmente, tal cliente não compareceu e adquiri o bilhete sem comentar nada sobre minha pessoa com o vendedor, que já estava meio desconfiado de tamanha insistência.
Escrito por Luiz Lago às 17h54
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11. Roberto se tornara meu amigo, mais do que isto, um irmão. Sua carreira alcançara um sucesso muito grande e seu consultório atendia pacientes de todas as partes do mundo. Cirurgião especializado em transplantes, viajava aos quatros cantos do país para operar. Ganhava dinheiro, mas ajudava muitas pessoas também. Como o pai, o saudoso Dr. Hélio, participava como voluntário de diversas organizações de ajuda humanitária. Foi ele quem me deu a casa onde eu morava na praia. Um dia, apareceu sem avisar na casa de praia e disse: - André, me acompanha até o cartório da cidade porque não me lembro bem onde fica. E leva teus documentos, que podem ser necessários. Sempre confiei nele, portanto concordei e prontamente o acompanhei. Quando lá chegamos já estava tudo acertado! Ele providenciou sem que eu soubesse a doação da casa para mim. Engendrei um – “não posso aceitar, tal e coisa” – mas ele foi categórico: - A casa é sua, minha mulher e meu filho concordaram. Não precisamos de mais um imóvel e tenho certeza que papai, que tanto amava este lugar, ficará muito feliz onde ele estiver. Aceitei comovido, e muito feliz, aquela casa, que tantas recordações me traziam, e que eu cuidava como se fosse minha, passou a ser minha de verdade. Naquela noite, passei longas horas em comunhão, de joelhos agradecendo a Deus aquela dádiva preciosa para a minha vida.
Escrito por Luiz Lago às 18h04
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10. Foram diversas visões no decorrer de alguns meses. Resolvi expor ao Roberto tudo aquilo que vira e anotara. Ele veio me visitar na casa de praia num fim de semana de julho. Estava um friozinho gostoso e passamos a tarde conversando à beira da lareira, na aconchegante sala de estar. - O que você achou Roberto? Perguntei ansioso. - Interessante, se eu não te conhecesse e não tivesse presenciado tudo que aconteceu aqui, diria que você é maluco, mas sou forçado a concordar com você: - estas visões são instruções para construir uma cidade, uma vila, é um projeto bem detalhado, materiais, custos, pessoal. - O que eu devo fazer então? Questionei. - Meu amigo, o custo desta obra é imenso, não imagino como você poderia arcar com esta enorme despesa, seus livros mal dão para o seu sustento, considerando que está se dedicando exclusivamente a eles. Sorte sua não ter que pagar pensão para os garotos, nisto a Eline está sendo muito legal com você. - Pudera, o marido dela agora é Juiz Federal, ganha muito bem o nosso ex-delegado Otávio – emendei. - Ela e as crianças tiveram sorte – completou Roberto. - Não existe sorte, amigo, é tudo planejado pelo nosso Amigão lá em cima. Faz muito tempo que você sabe disso – observei. - É verdade – aquiesceu Roberto, e continuou: - Voltando ao assunto das visões, creio que você saberá como levar adiante o projeto da mesma forma que ele está chegando a você. Através de uma visão que lhe diga como concretizar este sonho. Independentemente do que acontecer, estou junto com você como sempre – finalizou enquanto nos despedíamos.
Escrito por Luiz Lago às 19h14
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9. A noite estava mais fria do que o costume, mas também o frio não me incomodou. Encontrei mais força no meu passo, mirei o alvo, uma duna distante que me encobria a visão e inicie a jornada. A Lua estava brilhante, pintando de prata o meu caminho. Cidade da Esperança! Um sonho que se tornou realidade! Um dia, logo depois de publicar a primeira edição de Loucura e Verdade, estava sentado na areia, frente ao mar, em comunhão, quando tive a primeira visão. Vi, como se numa tela de TV, um tipo de vídeo, mostrando uma cidade sendo construída. Só que eu estava na praia, sentado na areia, não tinha TV nenhuma em minha frente, muito menos eletricidade. Tudo muito rápido, como quando fazemos um DVD andar para frente com rapidez, mantendo a imagem. Em poucos instantes estava pronta. Rústica, com diversas casinhas de tijolo à vista, alguns prédios que identifiquei como uma escola, um hospital, uma igreja, um mercado. Uma cidade do interior, mas extremamente limpa e organizada, com sua área rural, onde podia ver plantações e animais sendo criados. Havia também um grande muro em torno da cidade e um portão de ferro que a princípio não consegui ultrapassar. Esta foi a primeira visão, a visão geral. Depois aconteceram outras, específicas que me levaram a conceber a idéia que deveria colocar todas as visões no papel, pois eram ordens divinas, um sonho que Deus estava me dando para realizar. No arco da entrada da cidade li: Cidade da Esperança e este foi o nome que dei ao projeto.
Escrito por Luiz Lago às 18h52
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8. O sol começava a declinar rumo ao horizonte. Terminei de anotar meu diário. Lápis e papel, saudade do note book, pelo menos ia deixar meus registros e detalhes da viagem para um outro maluco como eu, caso alguma fatalidade me acontecesse. Recolhi meus pertences e preparei-me para uma nova noite de caminhada. Antes fiz uma pequena refeição. Cereais, proteína, um pouco de água. Pensei em quanto havia me dedicado aos jejuns e controle das atividades corporais, e fiquei imaginando se esse treinamento não seria responsável pela minha resistência. Ou seria algo mais? Tentei fazer uma auto introspecção e não consegui nenhum resultado. Em mim havia apenas aquele brilho intenso ofuscando a minha visão, como o clarão de um flash. Percorri mentalmente meus órgãos, pesquisando possíveis danos causados pelo jejum ou falta d’água, mas, aparentemente tudo estava funcionando bem. Por incrível que possa parecer, na minha situação, as minhas necessidades fisiológicas permaneciam inalteradas. Daí me ocorreu o insólito: Com certeza já morrera, pensei. Talvez até tivesse morrido de outra forma e não me lembrava. Poderia ter morrido ao sair da Cidade da Esperança, ou mesmo na caminhada pelo deserto. Sim, esta seria a probabilidade mais lógica. Mas desde quando DEUS usa a lógica nas suas conjecturas infinitas? Para ELE não existe a lógica do homem. DEUS é a total falta de lógica, dizia Lea.”A Palavra de DEUS é loucura para os homens”. Afastei este pensamento, precisava ser forte, e alcançar o meu objetivo. Iniciei a minha caminhada. Para me dar força, a lembrança de outras vitórias!
Escrito por Luiz Lago às 18h06
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7. Pensei novamente nas visões. Minha vida estava ligada a elas desde muito tempo. Foi por causa delas que me encontrava ali. Como eliminar de minha mente estes pensamentos e as dúvidas? Por certo esta atividade mental estava atrapalhando a comunhão fundamental para o sucesso de meu plano. Não acreditava ser possível... O calor ainda estava intenso, mas não mais molestava meu corpo débil. As dores nos ossos aumentaram, mas não perturbavam meu espírito. Por incrível que pareça, considerando meu estado lastimável, uma sensação de paz intensa tomou conta de mim. Deixei que as lembranças fluíssem. Depois de todos aqueles acontecimentos, da partida de Lea, consegui publicar o livro, com ajuda de amigos e alguns empresários que se interessaram pelas causas relacionadas com os Manuscritos. Nenhuma editora quis publicar, afirmando que tinha um apelo forte de teoria da conspiração. Publiquei a segunda, terceira, quarta, enfim, diversas edições. Vendia os livros praticamente de porta em porta, e pela Internet, através de sites de relacionamento. Reinvestia o que ganhava em mais livros, e cheguei a publicar quase cem mil exemplares, marca razoável para um escritor independente. Cheguei a ser sondado por algumas editoras quando as catástrofes começaram a acontecer, mas foi tudo muito rápido e, nem livros nem editoras adiantariam mais. Em todos aqueles anos, cinco ao todo, me aprofundei nos exercícios de comunhão, e alcancei níveis fantásticos, mas não consegui entrar em contato com Lea, minha grande esperança neste intento. Cada palavra dela foi confirmada por mim e os detalhes dos Manuscritos foram ficando cada vez mais claros. Senti previamente cada cataclismo natural ou através da mão humana que aconteceram. Até que toda a tecnologia fosse banida da face da Terra, chorei pelos bilhões de almas que foram aniquiladas na grande tribulação. Tudo aconteceu como o previsto por Lea e o que tentei alertar através do livro. O mundo que conheci não existia mais, estávamos na idade da pedra novamente. Consegui salvar meus filhos, minha ex-mulher e o marido, e alguns amigos antigos e novos que acreditaram em mim. Ao todo formamos uma colônia de quatrocentos e setenta sobreviventes, que deixei a salvo na nossa mini-fortaleza, construída com as economias de cada um e ajuda de voluntários do mundo todo. Era a Cidade da Esperança...
Escrito por Luiz Lago às 17h54
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6. A posição em que me colocara deu-me cãibra no braço e ao virar-me, acordei. Raios de sol penetravam pela entrada da gruta, eram quase 17 horas, meu condicionamento físico já quase dispensava o despertador. Algo tocou minha perna. Levantei a cabeça com dificuldade e fiquei paralisado de medo. Uma terrível serpente do deserto se enroscava para o bote. A picada deste réptil produzia uma morte rápida, mas dolorosa. Mas e se não fosse aquilo que aparentava. Podia ser uma visão, um aviso? Como saber? Seria este o meu fim? Não mexia um músculo, mal respirava. Preparei-me para introspectá-la. A serpente permaneceu em posição de defesa por um tempo que me pareceu interminável. Num piscar de olhos, como surgiu, desapareceu. Estaria sonhando ainda? Por certo que não. As dores estavam presentes. Minha visão teria me enganado mais uma vez? Quando me preparei para instrospectar à serpente, ativei minhas memórias inconscientes e lembrei do sonho. Seria esta a forma que DEUS estava usando para me alimentar e saciar a sede e me manter vivo e forte? Poderia a comunhão chegar a este ponto? Saciar as necessidades materiais através do SEU ESPÍRITO em mim? As necessidades eram materiais, corporais, como poderiam ser saciadas num outro plano, o espiritual, o efêmero? Dúvidas e mais dúvidas, parece que o meu sacrifício seria em vão, um novelo de lã embolado...
Escrito por Luiz Lago às 19h05
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